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APAGÃO DE MÃO DE OBRA CRIA ONDA DE "DESAPOSENTADOS"

Profissionais "cinquentões" têm aumentado sua presença no mercado de trabalho. Eles exercem funções renegadas pelos mais jovens e ocupam cargos que exigem especialização ou maior experiência.


"O mercado sofre com um apagão de mão de obra", diz Fátima Sanchez, gestora do Instituto Personal Search, entidade que recoloca profissionais no mercado. Na ausência do trabalhador mais tarimbado, as empresas criaram estratégias, como "desaposentar" profissionais que estavam longe do mercado.

Segundo o Ministério do Trabalho, os maiores de 50 anos ocupavam 14,21% dos mais de 44 milhões de postos em 2010. Eles preencheram mais de 20% das quase 3 milhões de vagas abertas.

Aloísio Buoro, professor do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) de São Paulo, aponta o setor da construção civil como um dos nichos promissores de recrutamento.

É o caso do Luiz Fernando Penalva, 62. Ele se demitiu em 2008, depois de passar 12 anos como gerente de condomínios em Alphaville, região de alto padrão próxima a São Paulo. Há um ano e meio foi contratado como engenheiro civil sênior pela construtora Contracta Engenharia.

"Já fiz dezenas de obras", diz. "Quando uma delas começa, já tenho uma visão dos problemas que podem ocorrer." Ele afirma ganhar até 8% acima do salário médio para a função que ocupa e diz já ter recebido propostas para trocar de empresa. Mas não pensa em sair. "Na minha idade, se eu der um salto, tem que ter muita certeza."

Jacqueline Resch, sócia-diretora da empresa de recrutamento e seleção de executivos Resch Recursos Humanos, também afirma que há espaço no mercado de trabalho para "pessoas nessa faixa etária", mas elas têm de estar atualizadas. "Não dá para envelhecer nesse sentido", afirma, ressaltando que é impossível trabalhar hoje com referência em uma experiência de 20 anos atrás.

Os especialistas apontam também como setores demandantes dos profissionais "cinquentões" capacitados o agronegócio, a mineração e a área de energia (óleo, gás e petróleo).

BAIXA QUALIFICAÇÃO

Mesmo para os trabalhadores sem qualificação há oportunidades, dizem os especialistas.

O Grupo Pão de Açúcar criou há dez anos o Programa Terceira Idade, que contrata pessoas com 55 anos ou mais. São empacotadores, operadores, auxiliares de cozinha, padeiros e consultores de clientes.

"Eles têm maior comprometimento, sabem ouvir", diz a gerente de RH do grupo Vandreia de Oliveira.

Para Buoro, do Insper, nesses setores não tão atrativos para quem está no começo da vida profissional, é mais fácil tirar da aposentadoria e treinar alguém mais velho com vontade de trabalhar.

Independentemente da função ou do setor, a inclusão de mão de obra com mais experiência no mercado de trabalho tende a mudar a cabeça do empregador.

"As empresas não estão mais restritas a contratar só jovens. Elas procuram quem está no mercado ou quem já saiu dele. Isso amplia a quantidade de oferta de mão de obra", conclui Buoro.

http://www1.folha.uol.com.br/treinamento/mais50/ult10384u1017425.shtml
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AOS 70 ANOS, VERA DE FRANÇA TRABALHA COMO MODELO NU HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO

Aos 70 anos, Vera França está entre as mais velhas modelos de nu atuando em São Paulo. Pernambucana, ela serve de inspiração a escultores, pintores e desenhistas desde que tinha 20 anos --orgulha-se de ter criado suas duas filhas somente com o dinheiro da profissão. Abaixo, ela conta a história de sua vida.


DEPOIMENTO

Eu gosto de ficar pelada desde pequena, quando ainda morava em Afogados de Ingazeira (PE), onde nasci. Aprendi a andar a cavalo com os meus primos, tinha uns 12 anos, e ia nua tomar banho no açude. Minha professora falava: "Que menina safada, nua em cima de um cavalo! Vou falar para o pai dela". E chamava meu pai: "Zé Lulu, dá uma surra nessa menina, prende ela". Apanhava, chorava, mas não adiantava: eu fazia de novo.

Quando fiquei mais mocinha, tinha mania de andar só de saia. Meu pai brigava comigo, pra ficar dentro de casa, mas não tinha jeito. Eram 13 irmãos --eu era a mais velha, criei todo mundo. Dava pinga com rapadura para eles dormirem e eu poder ir até a janela namorar.

Meu nome não é Vera. Em casa tinha muita Maria: Maria Francisca, Maria de Lourdes, Maria José, Maria Josefa. Não gosto do meu nome de batismo, Maria das Dores, até hoje. Se fosse Maria José, Maria Antônia, até acharia bonito. Mas tinha tanta Maria que quando chamavam uma, vinham todas. Um dia, ainda em Pernambuco, pensei: de hoje em diante, me chamo Vera. Não é que pegou? Tem muita gente que não sabe meu nome real até hoje.

Meu primeiro convite para posar como modelo nu aconteceu quando trabalhava num parque de diversões em Salvador. Eu tinha 20 anos e queria ser bailarina de can-can, mas acabei virando Tanagra, a menor mulher do mundo. Um jogo de luz fazia com que as pessoas me enxergassem dentro de um aquário. Usava um biquíni bem pequenininho, bem bonitinho, da cor da pele.



Um dia, um estudante de engenharia, que a gente chamava de Chaves, me viu no parque e perguntou se eu queria ser modelo de uma escola de belas artes de Salvador. "É o que eu mais quero", respondi. "Mas só se for uma coisa de respeito." Na verdade, não sabia direito o que era --não sabia que era pra ficar pelada pros outros me desenharem.

Tomei banho cedinho, peguei o ônibus. Quando cheguei, já estavam lá um professor e a assistente dele, que se chamava Zélia Maria, me esperando. Ela me deu um jaleco branco e disse para me trocar atrás de um biombo. Ela disse: "Não tenha vergonha, porque também é uma profissão, mas diferente de escritório". Comecei no dia seguinte. Na primeira vez que posei nua, devia ter mais de 50 alunos na sala. Desde essa época me sustento com o dinheiro das poses.

Quando trabalhava em Salvador, conheci uma mulher chamada Maitê, de São Paulo. Ela tinha ido à Bahia de férias e aproveitou para procurar uma modelo na escola de belas artes. Ela disse que em São Paulo só tinha dois modelos, um negro e uma morena, e que estavam precisando de uma branca.




Mais ou menos um mês depois de conhecer a Maitê, cheguei a São Paulo. Desembarquei do ônibus à meia-noite, era dia 3 de abril de 1966. A Maitê foi quem me apresentou ao Flávio de Carvalho, o primeiro artista para quem posei aqui, logo que cheguei. Acabei ficando num quarto de empregada no apartamento dele --ajudava fazendo as coisas de casa e, às vezes, posava para ele. O Flávio morava na avenida Ipiranga, número 81. Fui ficando e ele me apresentou a vários artistas.

Um tempo depois de eu vir para São Paulo, minha família toda veio de Pernambuco para cá. Eles não implicavam com a minha profissão. Hoje, dos 13 irmãos, só eu e mais uma continuam vivos.

Continuei posando mesmo quando fiquei grávida da minha segunda filha, a Shirley, quando tinha 40 anos. O pai dela é um japonês, ela tem até os olhinhos puxados. Minhas duas únicas filhas são de pais diferentes e eu nunca quis casar --prefiro assim, com liberdade.

Hoje em dia, prefiro trabalhar no Sesc porque eles pagam melhor que os outros lugares, mas já trabalhei para quase todas as faculdades de arte daqui de São Paulo. Quando completei 50 anos de profissão, no início do ano, alguns colegas fizeram questão de trazer um bolinho para comemorar.

Divido meu apartamento, no centro, com uma de minhas filhas e os meus dois netos. Nós dividimos as contas da casa, mas as minhas poses continuam sendo importantes para o orçamento. No tempo livre, faço cursos de artesanato na igreja da minha rua. Um dos colares que eu fiz, com sementes de açaí, é meu preferido, não tiro nem para tomar banho --só preciso tirar quando vou trabalhar.

Eu fui respeitada nessa profissão, é uma profissão bela.

http://www1.folha.uol.com.br/treinamento/mais50/ult10384u1017450.shtml

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IDOSA COM 113 ANOS "MENTE" PARA ENTRAR NO FACEBOOK

PLAINVIEW, Minnesota — Quando Anna Stoehr criou seu perfil no Facebook, fez o que muitos adolescentes fazem, mentiu a idade. Mas em vez de adicionar alguns anos para parecer mais madura, ela informou ter 99, apesar de estar prestes a comemorar 114. O motivo: a rede social permite selecionar até 1915 como ano de nascimento, mas ela nasceu em 15 de outubro de 1900.

Anna é a residente mais idosa do estado americano de Minnesota e está conectada graças a um novo amigo, Joseph Ramireza, representante de vendas em uma operadora de telefonia. Foi ele que ajudou a “adolescente mais velha” que conhece a criar sua página na rede social, contou à emissora local KARE 11.

A relação entre os dois começou quando Joseph vendeu um iPhone ao filho de Anna, Harlan, de 85 anos, e decidiu visitar Anna que vive em uma casa de repouso. Desde então, ele a visita semanalmente e, para comemorar o aniversário de 114 anos, conseguiu junto à operadora em que trabalha um iPad para presentear a idosa.

— Eu vendi o aparelho e ele estava falando sobre a mãe dele e eu me toquei que Harlan tinha 85 anos. Eu fiquei espantado — contou Joseph.

Uma organização que mapeia a população centenária nos EUA aponta Anna com a sexta pessoa mais velha do país, apenas dois anos mais jovens que a pessoa mais idosa, de 116 anos e vive no Arkansas. Apesar de agora viver em uma casa de repouso, Anna morava até os 112 anos sozinha em uma fazenda. Para Harlan, o interesse de sua mãe pela tecnologia não causa surpresa:

— Esse é uma característica da minha mãe, ela sempre foi curiosa sobre tudo durante toda a vida e continua assim.

http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/idosa-com-113-anos-mente-idade-para-entrar-no-facebook-14215134

MERCADO DA TERCEIRA IDADE ESTÁ EM ASCENSÃO NO BRASIL

Eles são cada vez mais numerosos e exigentes. A turma dos brasileiros que passaram dos 60 anos já soma 23 milhões de pessoas. Eles gostam de se vestir bem, de viajar e querem, mesmo, curtir a vida.


Mais informações na reportagem de Márcio Campos.

Entrevistados: Marli Santos - juíza aposentada / Benjamim Apter – empresário / Manuela Araújo - 73 anos / Alzira de Oliveira - 79 anos / Flávio Borges - responsável pela pesquisa / Sônia Skroski - jornalista e curadora de arte.

ELEIÇÕES NA SUÉCIA TEM 600 CANDIDATOS COM MAIS DE 80 ANOS

"As pernas estão fracas, mas a cabeça funciona muito bem, obrigado", diz Gösta Arvedson. Aos 89 anos, ele é o candidato mais velho das eleições para o Parlamento sueco, no próximo dia 14.


Mas Gösta poderia ser um irmão caçula do candidato mais idoso do pleito sueco em nível local: Lennart Israelsson decidiu, aos 98 anos de idade, se candidatar como vereador em sua cidade.

Lennart, de 98 anos, promete que,
se eleito, 'vai fazer algo novo pela agricultura'
Nada que surpreenda os suecos, um país onde é relativamente expressiva a participação de octogenários na disputa política. Além dos cinco candidatos com idades entre 83 e 89 anos que disputam uma cadeira no Parlamento, nada menos que 600 octogenários disputam as eleições locais.

Os nonagenários também querem ter voz --no total, 21 candidatos com idade acima de 90 anos participam das eleições gerais, segundo números da agência de notícias sueca Siren publicados no jornal Dagens Nyheter.

"A vantagem de ter mais de 90 é a experiência de vida acumulada. Além disso, estou em forma e ainda nem preciso de óculos para ler, por mais incrível que possa parecer", diz Lennart Israelsson, candidato do Partido do Centro (Centerpartiet) à assembléia municipal de Nassjö, no Sul da Suécia.

O segredo de tão boa forma aos 98 anos, nem ele, com toda a experiência, sabe explicar: "O que sei é que nunca fumei nem bebi na vida. Em vez de fumar e beber, eu sempre preferi dançar e jogar palavras cruzadas, como faço até hoje. E tenho vivido uma boa vida. A pior fase foi quando a minha companheira faleceu, mas é preciso ir adiante e seguir a vida", ele disse em entrevista ao jornal Expressen.

Milionário

Lennart figura no sétimo lugar da lista partidária do Partido do Centro e tem, segundo a imprensa sueca, uma boa chance de ganhar um assento na Assembléia Municipal.

Se eleito, terá que continuar em forma até os 102 anos de idade para cumprir o mandato de quatro anos.

"Ótimo", diz Lennart. "Assim tenho uma boa meta para me esforçar para atingir. Quero conversar com Annie Lööf [líder do Partido do Centro] e fazer algo de novo pela agricultura, que é de extrema importância para as pessoas. E 98 anos não é tanto assim, é?", ironiza.

Na Suécia, vereadores não recebem salário --ser vereador é função que se desempenha em paralelo a empregos regulares. Mas dinheiro não é problema para Lennart --ele é um milionário. Nascido em fevereiro de 1916 na localidade de Algutsboda, no sul da Suécia, ele começou a carreira como trabalhador do campo e em seguida tornou-se ferroviário.

Em 1946, decidiu começar a apostar no mercado de ações com pequenas quantias --34 anos depois, ele acumulou seu primeiro milhão de coroas suecas, e desde então, só viu crescer a fortuna e a fama como filantropo e consultor financeiro.

Já o mais jovem Gösta Arvedson, candidato do Partido Liberal (Folkpartiet) nas eleições parlamentares, é menos ambicioso.

"Conheço muita gente por toda a Suécia, e espero que isso ajude o partido a obter mais votos. Mas minha ambição não é ter uma cadeira no Parlamento", disse Arvedson, que é voluntário da instituição de caridade Exército da Salvação, em entrevista à Rádio Sueca (Sveriges Radio).

Terceira idade

A força da terceira idade ainda se concentra nas municipalidades. Segundo dados do jornal sueco Jönköpings-Posten, um de cada quatro eleitores têm 65 anos de idade ou mais – mas apenas sete por cento dos parlamentares eleitos estão nesta faixa etária.

Já em assembleias municipais como a de Nassjö, no sul da Suécia, um entre cada cinco vereadores representa a terceira idade e leva à pauta política questões relacionadas, por exemplo, aos interesses dos aposentados.

No outro extremo do perfil etário dos candidatos das eleições gerais deste ano está Gösta Andersson, que aos 17 anos de idade concorre ao Parlamento pelo Partido do Centro. É o mais jovem candidato do pleito, ao lado de cinco outros que, na casa dos 18 anos de idade, já lutam por um assento no Parlamento.

BRASIL VAI ENVELHECER RAPIDO E NA POBREZA

Para Alexandre Kalache, países desenvolvidos enriqueceram para depois envelhecer; Brasil, que terá 65 milhões de idosos em 2050, deve priorizar investimentos em saúde e previdência

Alexandre Kalache adora falar de velhos. Ele é o presidente do Centro Internacional de Longevidade e um dos mais respeitados especialistas no assunto. Os números espantam. Em pouco tempo a população brasileira vai envelhecer rapidamente e, diferente do que aconteceu no Japão e em países da Europa, a mudança ocorrerá na pobreza. E, ainda por cima, em uma sociedade muito voltada para os valores ligados à juventude.

O médico considera que é preciso pensar sobre o que as pessoas de 40 anos hoje querem fazer com os anos que lhes foram dados de presente. Se vão viver 80 ou 90 anos, que seja com saúde. Mas isso não tem sido prioridade no Brasil. Achou que o cenário é de caos à vista? A boa notícia é que você vai viver bastante.

Quais serão as transformações no País com esta mudança populacional?

Kalache: O Brasil é entre os países com mais de 10 milhões de habitantes o que vai mais rapidamente envelhecer. E eu sempre afirmo isso, os países desenvolvidos primeiro enriqueceram para depois envelhecer, nós estamos envelhecendo muito mais rápido que eles e com pobreza. Daqui há 35 anos, o Brasil vai ter 65 milhões de idosos. É muita gente! Com exceção do México, é uma população maior que a de qualquer país latino americano. É um país tão grande quanto a Alemanha. É um contingente imenso que precisa de investimentos.

Como devem ser feitos estes investimentos?

Kalache: Não só de política para os idosos, mas também de política para que os adultos de hoje possam chegar bem na velhice. Basta você ter 30 anos hoje para que daqui a 35 você tenha 65. A gente não está falando de um grupo que saiu do vácuo. Estamos falando dos adultos de hoje. São duas linhas que não competem, mas que se somam. A forma como as pessoas vão envelhecer vai depender de oportunidades para ter quatro capitais fundamentais: saúde (acesso e prevenção), finanças (previdência privada e público), social (caprichar para ter amigo), e educação. Isso depende de políticas. Não se faz do nada. Infelizmente, o governo federal está desleixado. Faz lei, mas não tem orçamento.

Como essas políticas poderiam ser complementares?

Kalache: A lógica é que, se houver boa política de saúde e previdência, o idoso sai mais barato pra País. Um idoso que recebe uma pensão não contributiva [sem ter contribuído para o INSS] e que vai comprar comida e remédio para a família, está sendo um agente de desenvolvimento. Das grandes políticas do Brasil de redistribuição de renda, a de pensão não contributiva a que mais favorece para a construção de uma classe C. É apontada como a mais eficaz. Em relação à saúde, vemos isto nas medidas de prevenção. O que é caro? Caras são as complicações em decorrência de doenças como hipertensão, por exemplo. Não é melhor investir em prevenção?

O Brasil está envelhecendo rapidamente. A seu ver, o que está sendo feito em termos de políticas públicas sobre o envelhecimento da população?

Kalache: Já foi muito pior do que é hoje. Está bom hoje? Não. De qualquer forma, houve um avanço. Nestes últimos 20, 25 anos, mudou muito a perspectiva. A criação do Estatuto do Idoso, em 2003, fez com que o idoso passasse a ser um cidadão com direito, não mais um alvo de ações filantrópicas ou de caridade. Então, quando uma velhinha entra numa fila de prioridades, ou que tem direito de não pagar o ônibus, não é caridade, é direito. Outro grande avanço, como eu já disse, são as pensões não contributivas. Aquela velhinha do interior que trabalhou na roça a vida inteira nunca contribuiu para o INSS não porque não quisesse, mas porque não tinha emprego formal. Ao receber sua aposentadoria, ela vai ser respeitada na família em vez de ser visto como um fardo. Ela pode decidir onde vai gastar o dinheiro. Vai comprar comida para o neto, remédio para o filho doente.

Mas ainda é preciso melhorar muito...

Kalache: Ah, sim. Está muito ruim. Se você comparar o Programa Nacional do Idoso com os programas que cuidam de política para mulheres e crianças, por exemplo, vai ver que a estrutura do primeiro é muito menor, com equipe e recursos muito menores. E o pior: mesmo com um orçamento pequeno de R$ 12 milhões no biênio, que não é nada, somente 20% do montante foi gasto. Então é muito ruim. A gente ainda precisa fazer muito esforço para dizer que as políticas estão respondendo a este envelhecimento rápido e sem precedentes.

Há 40 anos, uma pessoa de 40 anos era considerada velha. Hoje, uma de 60 não é. O que explica esta mudança?

Kalache: A gente vive numa sociedade muito voltada para aos valores da juventude, para a aparência. O que é bonito é o jovem, a força, a potência, o poder. Nos fixamos muito à beleza externa, física, sem perceber e valorizar uma beleza que você só acumula quando tem experiência, na sabedoria. Você não consegue ser um sábio aos 32 anos. Se for para ser um dia, vai ser mais velho, lá pelos 70.

Quando você acha que este estigma de velho pode mudar?

Kalache: Acho que já está havendo uma revolução de valores aqui. Temos esta geração de babyboomers muito grande que nasceu depois da Segunda Guerra e que teve mais acesso a saúde, educação e dinheiro no bolso. Foi a primeira geração a ter a adolescência, um conceito novo - antes ou a pessoa saía abruptamente da infância com 14 anos para trabalhar ou morreria de fome. Em todas as fases da vida, os baby boomers contestaram. Isto tudo está no nosso DNA. Os velhos de hoje vivem a gerontolescência.

O que é isso?

Kalache: Os adultos estão passando a velhice como uma transição gradual. Só que, diferente da adolescência, a velhice vai durar 20, 25 anos. Você vai com 50 e poucos anos até os 80 fazendo barulho, com muito mais percepção dos seus direitos e coerente com o que sempre pensou. Se sempre foi um ativista, sempre lutou pelos direitos humanos, vai cada vez mais lutar para dizer: 'é possível ser um velho bonito, com recursos para a sociedade'. Vai ser uma batalha do ativismo de exigir os direitos. Existe um estatuto, mas a gente vai lutar para que ele seja posto em prática, que empodere a pessoa para que ela seja um cidadão pleno, atuante, ativo da sua sociedade.

Houve um aumento grande na expectativa de vida. Hoje, uma pessoa com 40 está ainda na metade da vida. Antes, ela estava se preparando para o fim da vida. As referências são outras. Que conselho você daria para essas pessoas?

Kalache: Meu conselho é que elas parem e pensem se querem que a o outra metade da sua vida seja da mesma forma que estão vivendo hoje. Será que não é preciso se reinventar? Fazer um ano sabático, um mestrado, mudar de carreira. Antigamente, se você fizesse uma escolha aos 18, ela te seguiria até os 50, 55 anos. Hoje, não. Então é preciso pensar muito na qualidade da sua vida para que estas décadas que foram dadas de presente sejam usufruídas com qualidade. Não é uma crise dos 40, é uma oportunidade de repensar. Quer ver só um exemplo?

Quero.

Kalache: É o caso do Jorginho Guinle. Ele era um playboy de uma das famílias mais ricas do Brasil. Quando chegou ao final da vida [morreu aos 88], ele disse: 'se eu soubesse que ia durar tanto, teria feito coisas diferentes'. Jorginho morreu pobre, queimou o dinheiro todo da família. Aproveitou bem até os 50, mas terminou doente e morando em apartamento emprestado. Isso porque não previu que viveria tanto. Por isso, meu conselho para as pessoas de 40 anos é que prevejam que vão viver muito, que vão chegar aos 80 ou 90 anos. A forma que elas vão viver vai depender das escolha que fizerem hoje. 

http://saude.ig.com.br/minhasaude/2014-05-03/brasil-vai-envelhecer-rapido-e-na-pobreza.html
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NADADORA AMERICANA DE 64 ANOS NADA DE CUBA AOS ESTADOS UNIDOS

Diana Nayd realiza a façanha: 176 quilômetros de Havana a Key West

A nadadora norte-americana Diana Nayd, de 64 anos, realizou uma façanha inédita. Ela precisou de 52h54min18 para se tornar a primeira pessoa a nadar a distância de 176 quilômetros entre Havana (Cuba) a Key West (Estados Unidos). Foi a quinta tentativa da atleta, que não utilizou gaiolas contra tubarões. A primeira ocorreu em 1978. Diana saiu do Club Náutico Internacional Hemingway, em Havana, cruzou o Estreito da Flórida e encerrou o trajeto na ilha de Key West. Ela foi beneficiada por correntes marítimas favoráveis.

"Eu tenho três mensagens", disse Diana, logo após sair da água, com rosto queimado e língua e lábios bastante inchados. "Primeiro nunca, nunca desista. Segundo: você nunca está velho demais para perseguir seus sonhos. Terceiro: este esporte parece ser solitário, mas é preciso uma equipe para se ter sucesso", completou a americana, que teve o auxílio de 35 pessoas para manutenção de rota, alimentação e hidratação dentro da água. Para evitar que ela fosse picada por uma medusa, por exemplo, mergulhadores foram à frente da atleta durante alguns metros.


O mar entre a Flórida e Cuba é um adversário conhecidamente feroz, cheio de tubarões, águas-vivas e ventos fortes. Esses obstáculos foram superados desta vez por Diana. "Acho que a mãe natureza disse: 'Deixa-a ir desta vez'", brincou. "É muito emocionante para mim – já era há 35 anos, e ainda é – fazer algo que ninguém jamais fez. Tudo valeu a pena", disse. "Mas, desta vez, se eu não concluísse a travessia, diria com orgulho que não teria mais nada a acrescentar." Em junho, a nadadora de longa distância australiana Chloe McCardle tentou fazer a travessia sem uma gaiola de proteção contra tubarões, mas teve de desistir depois de também ser queimada por águas-vivas.


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A HISTÓRIA DO NETO QUE VIROU PAI DA AVÓ

Jovem largou tudo para cuidar da idosa;experiência fez sucesso na web e vai virar livro


Compartilhar a dor não é sofrê-la no coletivo, é livrar quem dela sofre. Foi com esse lema que o estudante Fernando Aguzzoli decidiu dividir com milhares de seguidores a experiência de virar o pai da própria avó e fazer dessa relação um exemplo de como lidar de forma leve com o Alzheimer.


Em janeiro de 2013, aos 21 anos, o jovem de Porto Alegre decidiu largar a faculdade de filosofia e o emprego para passar 24 horas ao lado da avó, diagnosticada com Alzheimer cinco anos antes. Aos 79 anos, Nilva Aguzzoli, ou a Vovó Nilva, como ficou conhecida nas redes sociais, passou a ter o neto como cuidador em tempo integral.

"Desde o início da doença, eu e meus pais sempre cuidamos, mas, em 2013, quando percebi que ela estava chegando a um estágio mais avançado da doença, pensei que, em breve, ela poderia nem nos reconhecer mais, e decidi que queria ficar direto com ela. A partir daí, tomei a decisão de levar tudo na esportiva", conta Fernando.

Em setembro, o jovem teve a ideia de criar uma página no Facebook onde passou a relatar de forma bem-humorada histórias do cotidiano de uma família com um membro com Alzheimer. "Sempre busquei informação sobre a doença e tudo o que eu encontrava era deprimente", conta. Nas postagens, os esquecimentos da Vovó Nilva viravam motivo de risada.

"Foi superpositivo para mim, para ela e para os meus pais. A realidade dela era completamente diferente, mas era muito bonita. As coisas eram lindas, as pessoas não morreram. Quem sou eu para tirar isso dela?", diz.

E era com bom humor que Fernando enfrentava os desafios diários. "Quando ela teve de usar fralda pela primeira vez, ficou incomodada. Então, eu coloquei uma fralda em mim e rimos juntos", conta.

A história acabou atraindo a curiosidade de internautas e a admiração de familiares de pacientes com Alzheimer.

Com o sucesso, Fernando e a avó passaram a escrever um livro que, além de contar as histórias engraçadas, terá dicas de como a família pode lidar com diversas situações vividas por um paciente com a doença. A iniciativa atraiu a atenção de médicos do Rio Grande do Sul, que participam da publicação com orientações técnicas. O livro deve ser lançado em setembro.

Vovó Nilva acabou morrendo em dezembro, por complicações de uma infecção urinária. Apesar da frustração, Fernando decidiu manter a página na internet, que hoje já tem 15 mil seguidores. "Mantive por consideração às pessoas que me deram apoio, pela escassez de informações sobre a doença e, principalmente, porque é uma forma de deixar a minha avó viva."

Benefício. Posturas como a de Fernando podem até ajudar a adiar a evolução da doença, segundo Cícero Gallo Coimbra, professor de Neurologia e Neurociências da Unifesp. "Na maioria dos casos, a atitude da família é cobrar e repreender o parente nos episódios de esquecimento. Essa cobrança leva ao pânico e ao estresse, que bloqueiam a produção de novos neurônios e pioram um quadro de demência", explica o especialista. "A maioria das famílias deixa o parente com Alzheimer no ostracismo, e o que ele mais precisa é de acolhimento afetivo." E essa foi a missão de Fernando. "Quando eu e minha mãe decidimos levar a vó para realizar o sonho dela, que era conhecer as Cataratas do Iguaçu, muitos perguntavam por que íamos gastar dinheiro com a viagem se, dez minutos depois, ela não lembraria do passeio. Mas, para nós, não importava se ela lembraria, importava a felicidade que ela teria naquele momento."
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,a-historia-do-neto-que-virou-pai-da-avo,1159026,0.htm

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UM MUNDO MAIS VELHO TRAZ MAIS CHANCES PARA PAÍSES E EMPRESAS

Bruce Springsteen, estrela maior do Rock in Rio:
no vigor de seus 64 anos, o cantor
é um dos símbolos da geração baby boomer
O aumento radical da expectativa de vida mudará a cara do mundo nas próximas décadas — e isso deverá se transformar em imensas oportunidades para as economias e para as empresas

A família Melis, natural da ilha da Sardenha, na Itália, ganhou notoriedade no fim do ano passado ao ser apresentada pelo Guinness Book, o livro dos recordes, como a mais longeva do mundo. Os nove irmãos somam 827 anos de idade. Consolata, a mais velha, tem 106 anos, e Claudina, a que vem em seguida, 100. Há no mundo cerca de 340 000 centenários.

Em quatro décadas, o número deverá subir para 3,2 milhões. E isso será só o começo. Metade das crianças que nascem hoje em países ricos ou nas camadas mais abastadas dos emergentes deverá passar dos 100 e repetir a história da família Melis. No fim do século, a expectativa de vida ao nascer deverá chegar a 82 anos — hoje está em 70.

Isso se os avanços na área científica continuarem no ritmo atual. Mas as pesquisas recentes sobre as doenças que mais matam — as cardiovasculares, os derrames, as infecções respiratórias e o diabetes — sugerem que a expectativa de vida poderá chegar perto de 100 anos.

“Estimo que estejamos acrescentando 2,5 anos por década. Ou seja, a cada hora, ganhamos 15 minutos”, diz o economista Ronald D. Lee, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e um dos demógrafos mais respeitados do mundo.

Se, além desses avanços mais tradicionais, os cientistas conseguirem viabilizar tratamentos revolucionários que “atrasem” nosso relógio biológico, não está descartada a hipótese de um ser humano viver até 150 anos — pelo menos no terreno da teoria. Parafraseando o economista John Maynard Keynes, é possível que, no longo prazo, estejamos quase todos vivos.

O fenômeno do aumento da expectativa de vida, aliado à queda dos índices de natalidade, mudará a cara do mundo. Segundo os dados mais moderados, até 2050 as faixas etárias acima dos 50 anos passarão do atual 1,5 bilhão de indivíduos para 3,1 bilhões. Já a população de crianças e adultos jovens crescerá bem menos.

Em quatro décadas, as pessoas com 50 anos ou mais serão mais da metade da população na Coreia do Sul e no Japão. Será, enfim, um mundo grisalho. E não se trata de exclusividade de países ricos. China e Rússia estarão em uma situação semelhante — no Brasil, as pessoas com mais de 50 serão 42% da população em meados do século.

Pelos cálculos da ONU, o ano de 2047 será um marco: pela primeira vez haverá um número maior de pessoas com mais de 60 anos do que com menos de 15. Não apenas viveremos mais. Viveremos mais com mais saúde.

Para uma sociedade historicamente acostumada a cultuar a juventude, o fato de que o mundo terá cada vez mais pessoas de meia-idade e idosos costuma ser associado a problemas. É claro que eles existem, mas vale a pena registrar o essencial. Garantir mais e melhores anos de vida é a maior vitória da humanidade até agora — ou alguém aí está triste com a perspectiva de que vai viver mais do que seus antepassados?

Na esfera econômica, o envelhecimento também é uma boa notícia, como já comprovam dados dos Estados Unidos, país que costuma antecipar as tendências que depois se espalham. Os 106 milhões de americanos nascidos de 1946 a 1964, conhecidos como baby boomers, estão cheios de fios brancos.

Considerados o grupo que forjou a sociedade de consumo, eles estão mais maduros, mas continuam enchendo lojas e shopping centers. Um estudo da consultoria inglesa Oxford Economics, ligada à Universidade de Oxford, diz que os americanos com 50 anos ou mais movimentam 7,1 trilhões de dólares por ano — se formassem um país independente, seriam o terceiro maior PIB, atrás de Estados Unidos e China.

Os baby boomers são líderes de compras em 119 das 123 categorias de bens de consumo, controlam 80% da riqueza e gastam 90 bilhões de dólares por ano em carros — 28% mais do que os com menos de 50.

Essa geração é a primeira que cresceu com aparelhos eletrônicos dentro de casa e testemunhou o surgimento do computador e da internet. Isso faz com que seja formada por ávidos consumidores de tecnologia. Uma pesquisa do instituto Pew Research Center acompanhou o avanço da internet entre os americanos mais velhos.

No ano 2000, apenas 36% das pessoas na faixa de 50 aos 65 anos já haviam usado a internet. Em 2012, esse número chegou a 85%. De acordo com um levantamento da consultoria Forrester Research, os gastos com tecnologia de pessoas na faixa dos 50 aos 64 anos nos Estados Unidos representaram 40% do mercado de produtos tecnológicos. Pelos cálculos da consultoria Nielsen, 32% deles têm smartphone e, ao todo, gastam 12% mais em compras online do que a geração de 35 a 46 anos.

Olhar o passado frequentemente ilumina os caminhos à frente. Os economistas Kevin M. Murphy e Robert H. Topel, da Universidade de Chicago, contabilizaram o valor econômico gerado pelo aumento da expectativa de vida nos Estados Unidos de 1970 a 2000 e chegaram a um resultado surpreendente.

A vida média no período passou de 70 para 78 anos, e isso gerou 3,2 trilhões de dólares a mais de renda por ano. Trata-se de um valor apenas de referência, que não entrou na contabilidade do PIB. “Esse bônus veio principalmente pela redução de mortes prematuras causadas por ataques do coração e câncer.

É uma geração mais saudável, que conseguiu produzir mais por mais tempo”, diz Topel. Por isso, é importante que um eventual avanço da longevidade seja acompanhado de melhora na qualidade de vida. “Adicionar anos de vida pode não ter tanto valor assim. A menos que uma pessoa de 100 anos possa viver como uma de 60.”

No Japão, um dos 32 países em que a expectativa já entrou na casa dos 80 anos, 44% dos gastos pessoais são feitos por consumidores com mais de 60. Lá, os baby boomers têm uma imagem jovial de si mesmos — sentem-se com dez anos a menos do que têm — e são responsáveis por popularizar hábitos de consumo americanos.

Uma pesquisa do instituto Chartered Insurance, associação de profissionais da área financeira, mostra que 80% da riqueza e do patrimônio no Reino Unido está nas mãos dos baby boomers, valor que chega a 8,3 trilhões de dólares.

No Brasil, o consumo das pessoas acima dos 50 anos é de 917 bilhões de reais, segundo levantamento feito para­ EXAME­ pela empresa de geomar­keting Escopo, de São Paulo. Elas gastam por ano quase 135 bilhões de reais em alimentos e bebidas, 64 bilhões em carros, 49 bilhões em artigos de vestuário, 24 bilhões em produtos de higiene e beleza e 12 bilhões em viagens.

Segundo um estudo da consultoria Nielsen, ao todo esse grupo responde por 40% dos gastos no país. “São consumidores tratados como pais e avós sem desejos próprios. Mas essa turma está gastando cada vez mais com a própria satisfação”, diz Geraldo Ferreira, diretor da Escopo.

Assim como ocorre nos Estados Unidos, os brasileiros com mais de 50 são ávidos por tecnologia. De 2005 a 2011, o número deles na internet cresceu 222%, para­ 8,1 milhões. A empresa de pesquisas americana comScore apurou em agosto que 84% dos internautas brasileiros com mais de 55 anos estão presentes no Facebook.

Mercados como carros de luxo perderiam boa parte da força sem os consumidores de cabelos brancos. “Os clientes com 50 anos ou mais representam 30% das vendas da Audi no Brasil. É um público fiel e exigente”, diz Thiago Lemes, gerente nacional de vendas da Audi.

A força dos consumidores maduros é explicada pelo chamado bônus demográfico. Existem dois tipos de bônus: o primeiro, mais conhecido, ocorre quando o número de pessoas em idade economicamente ativa é muito maior do que a soma de crianças e idosos. Hoje, para cada dez trabalhadores, há cinco inativos que precisam ser sustentados.

Já o segundo bônus demográfico trata do aumento da fatia dos trabalhadores de cabelos brancos — a faixa dos 50 aos 70 anos. Mais educada e preparada do que seus pais e avós, a atual geração de trabalhadores maduros tem um impacto maior sobre a produção de riqueza — e, consequentemente, sobre o consumo.

Mas o grande diferencial do segundo bônus tem a ver com a propensão dos mais velhos a poupar. À medida que o país tenha um número maior de pessoas acima dos 50 anos, a tendência é que a poupança nacional cresça, financie investimentos e sirva de motor para o crescimento econômico.

Como as taxas de natalidade estão caindo, o primeiro bônus tem data para acabar. Calcula-se que o Brasil viverá seu ápice em 2022, quando a proporção de trabalhadores em relação aos inativos será maior. Já o segundo bônus começa agora e será mais duradouro. Isso porque a faixa dos mais velhos tende a crescer cada vez mais.

Em 2010, os brasileiros com 50 anos ou mais eram 38 milhões. Em 2050, serão 98 milhões. Um estudo do economista Ricardo Brito, professor do Insper, em São Paulo, estima que o segundo bônus demográfico tem potencial para impulsionar um avanço anual­ de 2% no PIB por várias décadas. “Para isso se tornar realidade, o governo só precisa fazer reformas que incentivem as pessoas a poupar”, diz Brito.

O efeito mais imediato dessa nova demografia brasileira já pode ser sentido nas previsões do varejo. Pelos cálculos da Escopo, nos próximos quatro anos, o consumo das pessoas com 50 anos ou mais no Brasil deverá crescer 35%. Em países com taxa de envelhecimento maior, como a França, as projeções revelam um fenômeno mais acentuado.

De acordo com a consultoria americana McKinsey, os franceses acima dos 55 anos deverão responder por dois terços do incremento do consumo até 2030, estimado em 270 bilhões de euros. Nos Estados Unidos, em 2032, a turma dos que terão 50 anos ou mais deverá girar 13,5 trilhões de dólares — metade do PIB do país.

Normalmente, é direta a associação entre juventude e maior disposição ao trabalho. Por isso, é comum achar que o envelhecimento tira o ímpeto da economia. Mas não é bem assim — felizmente. Um estudo do Centro de Pesquisas para a Aposentadoria, da Universidade de Boston, indica que os americanos com idade entre 60 e 74 anos são mais produtivos que jovens de até 25 anos.

Atualmente, os trabalhadores com mais de 60 anos representam 10% da força de trabalho do país. Até 2025, quando o americano mais jovem da geração baby boomer completar 61 anos, a expectativa é que representem 13% do total.

Para o autor do estudo, o economista Gary Burtless, a percepção de que os trabalhadores mais velhos são menos produtivos deverá cada vez mais deixar de fazer sentido. Isso porque eles são cada vez mais preparados, ativos e saudáveis. Essa previsão está baseada nas atuais pesquisas desenvolvidas pela indústria farmacêutica — que indicam uma vida longeva e com saúde.

O mapeamento do genoma humano, em 2003, impulsionou dramaticamente o avanço da biotecnologia — uma técnica de produção de remédios que, em vez de componentes químicos, usa células e outros organismos vivos para tratar doenças.

“Uma década depois da decodificação do genoma humano, ­estamos começando a perceber seu potencial. Por isso, temos melhor com­preen­são das doenças e da biologia humana”, diz o americano Jack Watters, vice-presidente de assuntos médicos da Pfizer.

Hoje, um terço dos investimentos feitos por laboratórios e universidades em novos remédios, cerca de 56 bilhões de dólares, está ligado à biomedicina, muito eficaz no combate a algumas das doenças que mais matam idosos e os deixam com a saúde fraca nos anos finais.

O valor é mais do que o dobro do total aplicado há dez anos. No começo da década passada, havia apenas um biotecnológico no ranking dos dez remédios mais vendidos. No ano que vem serão sete, e a tendência é que o número cresça. Segundo um estudo publicado em junho pela empresa americana de pesquisas científicas Battelle, o impacto econômico do mapeamento genético até agora é de 796 bilhões de dólares.

O barulho em torno do código genético foi tão grande que alguns bilionários, como o mexicano Carlos Slim, o segundo homem mais rico do mundo, decidiram aumentar as doações para centros de pesquisa.

Nem tudo são flores

O aumento da longevidade, porém, trará uma série de desafios para a humanidade — a começar pelo tamanho da população. Para a canadense Sonia Arrison, professora da Singularity University, que funciona no campus da agência espacial americana Nasa, isso não será um problema.

Autora do bestseller 100 Plus (“Mais de 100”, numa tradução livre), Sonia acredita que os avanços tecnológicos, como o aumento da produtividade da agricultura e a dessanilização da água do mar, permitirão que o planeta dê conta do aumento do número de pessoas.

Para a maioria dos economistas que se debruçam sobre a questão da longevidade, no entanto, a questão é mais complexa. A começar pela previdência, vista como uma bomba-relógio. Nesse sentido, o envelhecimento é democrático. Desafia os governantes de países emergentes e desenvolvidos.

Até o momento não há uma fórmula exata de como solucionar o problema. Na Europa, assim como no Brasil, o custo das aposentadorias e pensões representa 13% do PIB da região — ou 2,2 trilhões de dólares. Nem mesmo a Alemanha, apontada pela ONU como um dos cinco melhores países para envelhecer, consegue assegurar um padrão de vida confortável a seus idosos.

Estima-se que 15% da população alemã com mais de 65 anos viva com menos de 1 200 euros por mês, o que os coloca na faixa de pobreza. Qualquer que seja a solução para essa questão, ela passará pelo aumento da idade mínima de aposentadoria — em linha com o que 20 dos 28 países da União Europeia já decidiram fazer até o fim desta década.

Para quem tem a perspectiva de viver muitos anos mais, a mudança das regras da aposentadoria é o preço a pagar. Viver mais, afinal, pode significar saborear uma existência longa, saudável e também mais produtiva. Bem-vindo à economia da longevidade.

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1053/noticias/um-mundo-mais-velho-e-mais-forte?page=1
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IDOSOS SAO 12% DA POPULAÇADO DO PAÍS

A Pnad 2011 confirmou a tendência de envelhecimento da população brasileira

De acordo com o IBGE, 23,3% da população tinham até 14 anos em 2011, 16,9% de 15 a 24 anos e 47,8% entre 25 e 59 anos

A população brasileira chegou a 195,2 milhões de habitantes em 2011, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As pessoas com 60 anos ou mais de idade já representam 12,1% da população total.

A Pnad 2011 confirmou a tendência de envelhecimento da população brasileira. Em relação a 2009, o número de brasileiros com 29 anos ou menos diminuiu, enquanto aqueles com 30 anos ou mais aumentaram.

De acordo com o IBGE, 23,3% da população tinham até 14 anos em 2011, 16,9% de 15 a 24 anos e 47,8% entre 25 e 59 anos.

A pesquisa também mostrou que 47,8% dos brasileiros se declararam brancos, 43,1% disseram se considerar pardos e 8,2% pretos. Os índios representam 0,4% da população e os amarelos, 0,6%. A Região Norte concentra a maioria dos pardos (67,9%) e também dos indígenas (1,6%) entre a população regional, enquanto o Nordeste tem a maior concentração de pretos (10,5%).

A região com maior número de brancos é a Sul (77,8%). Já as regiões Sudeste e Centro-Oeste são aquelas que concentram a população de amarelos (0,7%).

Segundo a Pnad, 57,1% dos brasileiros com 15 anos ou mais idade viviam em algum tipo de união conjugal, enquanto 21% estavam separados e 22% eram solteiros. Quase 60% dos homens viviam em união, contra 54,8% das mulheres.


http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/idosos-sao-12-da-populacao-do-pais

 

IDOSOS RESPONDEM POR QUASE 20% DA RENDA DO PAÍS, APONTA IPEA


Com a combinação de uma alta taxa de fecundidade em décadas anteriores e o menor crescimento populacional dos últimos anos, o número de idosos no Brasil aumentou e crescerá ainda mais nos próximos anos, ampliando seu peso na economia, diz análise do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

Taxa de natalidade cai e população brasileira deve parar de crescer

O estudo, feito com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), aponta que em 2011 os mais velhos geraram 19,4% do rendimento total dos brasileiro.

Nos lares onde viviam, os idosos eram responsáveis por 64,5% do rendimento familiar.

Essa fatia da população tinha um renda (considerando todas as fontes, como trabalho, aposentadorias, aluguéis, investimentos financeiros) de R$ 28,5 bilhões ao mês, desse total, a maior parcela provinha da Previdência Social, que cobria 69,5% do rendimento dos mais velhos, segundo o estudo.

Ana Amélia Camarano, coordenadora do estudo, diz que o Brasil conseguiu enfrentar o problema da falta de uma renda assegurada após os 60 anos e da pobreza na velhice --comuns em alguns países.

Segundo ela, 76% (ou 15 milhões de pessoas) dos idosos recebiam benefícios de seguridade social no Brasil.

Ela diz, porém, que nem todos os problemas estão equacionados. "As condições de saúde e de autonomia dessa população que passou a viver mais são fundamentais e o desafio para as política públicas", afirma.

De 1992 a 2011, a proporção de pessoas com mais de 60 anos passou de 7,9% do total para 12,1% --aproximadamente 23 milhões de pessoas.

IDOSOS EM ATIVIDADE

Segundo o estudo do Ipea, 35,1% dos homens idosos participavam de algum tipo de atividade econômica --cerca de 50% desse grupo já estava aposentada e se mantinha no mercado de trabalho.

Já entre as mulheres com mais de 60 anos, 12,4% continuavam ativas e também aproximadamente metade recebia aposentadoria.

Do total de homens mais velhos, 75,3% eram aposentados e apenas 3,7% não tinham nenhum rendimento. "É um percentual muito baixo", disse Camarano.

No caso das mulheres, 13,4% não tinham renda própria e 58,3% recebiam aposentadoria.

Para as idosas, diz a pesquisadora, o problema da falta de rendimento (decorrente da menor inserção feminina no mercado de trabalho quando elas eram mais jovens) é atenuado pelo fato de receberem pensões após a morte do maridos. 


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1167769-idosos-respondem-por-quase-20-da-renda-do-pais-aponta-ipea.shtml

 

SEDENTARISMO INFLUI NO EFEITO DE VACINA ANTIGRIPE EM IDOSOS

Com uma dose de atividade física regular, a produção de anticorpos pode ser até três vezes maior do que nos sedentários

Um dos principais alvos da campanha de vacinação antigripe, os idosos podem não estar se beneficiando tão bem da proteção quanto se poderia imaginar.

A boa notícia é que, com uma dose de atividade física regular, a produção de anticorpos pode ser até três vezes maior do que nos sedentários.

É o que mostra estudo que comparou o efeito da vacina em idosos sedentários e ativos. Em sua pesquisa de pós-doutorado, o imunologista André Bachi, da Universidade Federal de São Paulo, partiu do fato que, enquanto em adultos a eficiência da vacina é de 90%, em idosos fica em 50%.

O pesquisador queria descobrir se era possível fazer algo para mudar esse cenário. Ele acompanhou ao longo de dois anos 110 voluntários idosos divididos em três grupos: os que já se exercitavam regularmente havia alguns anos, os que estavam começando a fazer atividade física e os sedentários.

A ideia era aplicar a vacina e observar a resposta do sistema imunológico. Amostras de sangue foram coletadas antes e 30 dias após a vacinação. Em um primeiro momento, o grupo mais ativo teve o melhor desempenho, chegando a apresentar quantidade de anticorpos 200% maior.

O segundo grupo, porém, não tardou a mostrar melhora. Quatro meses após iniciados os exercícios - por pelo menos uma hora, três vezes por semana -, a produção de anticorpos já era 50% maior. Um ano depois, assemelhava-se à dos idosos mais ativos.

"No envelhecimento, há uma diminuição da resposta do sistema imunológico", explica o pesquisador. "É por isso que alguns idosos, apesar de tomarem a vacina, de vez em quando pegam a gripe. O que não significa que não vale a pena tomar a vacina. Ela continua sendo importante porque é uma estratégia para reestimular o sistema imune. Mas não é em todo mundo que vai dar certo. Na média da população, a cada cem idosos, metade estará protegida."

O efeito da atividade física para inverter esse quadro foi testemunhado pela voluntária Anadira de Freitas Nomi, de 66 anos, que começou a fazer academia na pesquisa e continua até hoje.

Ela lembra que sempre tomava a vacina, mas virava e mexia ficava gripada ou resfriada, fora as dores no corpo causadas por uma artrite reumatoide. "Não pego mais nem resfriado. Tudo melhorou. Antes nem conseguia escovar o cabelo de tanta dor no ombro."

"O mais bacana é que apenas um ano após começar os exercícios há um ganho do sistema imunológico. Ou seja, quem começar agora já vai se beneficiar melhor da campanha de vacinação do ano que vem", diz Bachi.

Fonte: http://exame.abril.com.br/ciencia/noticias/sedentarismo-influi-no-efeito-de-vacina-em-idosos


A HUMANIDADE ESTÁ MAIS VELHA E MAIS POBRE

Após o estouro da crise econômica nos Estados Unidos e nos países europeus, ficou evidente que a longevidade nem sempre significa maior qualidade de vida para os idosos
 

O debate sobre o envelhecimento da população mundial costuma partir de uma premissa errada. Muitas vezes, trata-se o tema como um problema. O aumento da expectativa de vida é uma das maiores conquistas da humanidade. Hoje, a população mundial vive, em média, 69 anos, 18 a mais do que na década de 60 do século passado.

Na Alemanha, a expectativa de vida das mulheres subiu de 45 anos, em 1900, para 82, hoje. Além de viver mais, as pessoas estão vivendo mais tempo com boa saúde.

Tudo isso é positivo, mas impõe novos desafios: do planejamento financeiro na esfera pessoal — os trabalhadores precisam poupar mais — a reformas previdenciárias realizadas por governos para evitar o estouro das contas públicas. E é aí que cessam as boas notícias — e começam os problemas.

Nos países ricos, a necessidade de repensar a situação do que se convencionou chamar de terceira idade ficou ainda mais clara desde a eclosão da crise de 2008. Nos Estados Unidos, o número de pessoas acima de 65 anos em situação de pobreza aumentou 15% nos últimos anos.

Metade dos americanos que se aposentam hoje é obrigada a baixar o padrão de vida, diz um estudo da Universidade de Boston. Nos anos 80, para efeito de comparação, o indicador estava na casa dos 30%.

Para piorar a situação ainda mais, a crise financeira vivida pelo país nos últimos anos diminuiu em mais de 10% a renda média dos cidadãos que têm entre 55 e 65 anos. Esses americanos às vésperas da aposentadoria já são chamados de geração espremida. Têm de auxiliar financeiramente os pais, já muito idosos, e os filhos, que estão sofrendo com a falta de oportunidades no mercado de trabalho.

Nem mesmo os idosos da Alemanha, o motor da economia europeia, estão imunes ao risco do empobrecimento. Dados recentes revelam que cerca de 400 000 aposentados do país não conseguem arcar com os custos de um asilo — número que aumenta 5% a cada ano. Diante da falta de opções, muitos idosos alemães têm se transferido para países do Leste Europeu, como Eslováquia e Bulgária.

Nos países mais afetados pela crise, como Grécia e Espanha, a taxa de idosos abaixo da linha de pobreza já chega a 27%. Em abril do ano passado, o aposentado Dimitris Christoulas, de 77 anos, chocou o mundo ao se suicidar na praça Syntagma, o grande palco de manifestações em Atenas.

Deixou a mensagem de que preferia morrer a ter de mendigar por comida. O dado mais recente indica um aumento de 40% no número de suicídios na Grécia, a maior parte deles envolvendo pessoas com mais de 50 anos. De certa forma, a crise colocou em evidência o fato de que as políticas destinadas aos idosos estão ultrapassadas.

Nesse debate, Taro Aso, ministro das Finanças do Japão, e François Hollande, presidente da França, escolheram caminhos tortos e irresponsáveis. Em janeiro, o japonês teve a coragem de sugerir que o governo “desse condições para que os idosos morram rapidamente”, como uma forma de diminuir a pressão fiscal do sistema de saúde.

O político francês, justiça seja feita, não chegou a esse ponto. Mas logo após assumir a Presidência, no ano passado, reduziu a idade mínima de aposentadoria de 62 anos para 60 anos.

“Estamos no século 21 tentando resolver os problemas sociais com armas do século 19, quando o alemão Otto von Bismarck criou o primeiro sistema de previdência”, diz Alexandre Kalache, ex-diretor do Programa de Envelhecimento e Ciclo de Vida da Organização Mundial da Saúde, e atual­ presidente do Centro Internacional da Longevidade, no Brasil.

A decisão de Hollande foi saudada por seus eleitores, mas o próprio governo reconhece que o déficit da previdência foi anabolizado. Em cinco anos, deverá pular de 14 bilhões de euros para quase 19 bilhões. O gasto médio com previdência na União Europeia é de 10% do PIB. Existem casos como o da França e o da Itália em que o gasto chega a 14%.

No fim, estaremos trabalhando?

Alguns países da Europa, onde a cada ano 2 milhões de pessoas ultrapassam a barreira dos 60 anos, já acordaram para o problema. A Holanda anunciou recentemente que a partir de 2023 só poderão se aposentar cidadãos com mais de 67 anos, mesma idade adotada na Alemanha, que tenta agora elevar a linha de corte para 69 anos.

Além de aumentar a idade mínima, vários governos estudam formas de incentivar as empresas a abandonar as aposentadorias compulsórias e contratar idosos. Até recentemente, para cada dez pessoas que entravam no mercado de trabalho mundial, uma se aposentava. Nos próximos 40 anos, se as leis não forem alteradas substancialmente, a proporção será de um para um.

A parcela de idosos da população mundial, um grupo de cerca de 500 milhões de pessoas hoje, deve chegar a 1,5 bilhão em 2050. Nos países ricos, a expectativa de vida vem crescendo desde 1840 a uma taxa constante de cerca de dois anos e meio a cada década.

Na maioria dos países em desenvolvimento, a expectativa de vida está aumentando, nas últimas décadas, numa velocidade ainda maior, aproximando-se da média dos países desenvolvidos. Mas há uma grande diferença.

As nações ricas tiveram mais tempo para planejar a velhice de seus cidadãos. Na França, o aumento do número de idosos com mais de 65 anos em relação à população total levou mais de 100 anos para passar de 7% para o patamar atual, de 17%. Os países em desenvolvimento terão de se preparar num prazo muito mais curto.

“Além do aumento substancial no número de idosos, vários países emergentes, como China e Brasil, vão enfrentar índices de natalidade cada vez mais baixos”, diz Anthony Webb, pesquisador do Centro de Pesquisas para Aposentadoria da Universidade de Boston. Nesse sentido, não há muito espaço para otimismo: se os idosos estão sofrendo nos países ricos, é de imaginar quão dura será a vida dos velhos em países bem mais pobres.

Para escapar da armadilha da velhice na pobreza, a humanidade terá de voltar no tempo. Há um século, 75% dos idosos dos Estados Unidos e da Europa trabalhavam.

O desafio de paí­ses em diferentes estágios de desenvolvimento hoje é elevar a idade de aposentadoria sem que isso queira dizer trabalhar até o fim da vida ou exercer atividades não indicadas para idosos. Do ponto de vista das contas públicas e das finanças pessoais, essa é a melhor receita para um final feliz.


Fonte: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1035/noticias/mais-velhos-e-mais-pobres?page=1


AUMENTO DE IDOSOS CRIA NOVOS MERCADOS PARA O SEU NEGOCIO

Aumento da longevidade e da renda da terceira idade garante velhice com tempo para se divertir 
Os idosos podem gastar 45% mais do que há cinco anos — o que abre uma série de oportunidades de novos negócios

São Paulo  - A professora de artes aposentada Maria Izabel Waack, de 77 anos, tem visto o mundo de vários pontos de vista nos últimos três anos. A bordo de um balão colorido, ela assistiu ao nascer do sol nos céus da Capadócia, na Turquia. Em restaurantes escondidos nas ruas abarrotadas de Nova Délhi, experimentou os fortes sabores da culinária indiana. Pela janela de um bimotor que sobrevoava a fronteira entre a China e o Nepal, observou as formas do monte Everest. "Fiquei impressionada com a imponência da paisagem", diz Maria Izabel.

Viúva há cinco anos, ela se programa para passear com a cunhada e um grupo de amigos pelo menos duas vezes ao ano, intercalando destinos nacionais e internacionais. Quando conversou com a reportagem de Exame PME, Maria Izabel tinha muita pressa, pois estava a poucas horas de embarcar para a África do Sul para uma viagem de dez dias e nem acabara de fazer as malas. "Nunca aproveitei tanto a vida como agora", diz. 

Maria Izabel faz parte de um grupo cada vez mais numeroso. Existem no Brasil cerca de 22,3 milhões de brasileiros com mais de 60 anos  — 53% mais do que em 2000. Essa é a faixa que mais aumenta na pirâmide etária. Os idosos também estão movimentando mais dinheiro. Somente neste ano, seus rendimentos chegarão a 400 bilhões de reais, 45% mais do que em 2007.
"Essas pessoas já criaram os filhos e geralmente não têm dependentes", diz Claudio Felisoni, coordenador do Programa de Administração de Varejo da FIA, que faz pesquisas sobre o comportamento do consumidor da
 terceira idade em São Paulo. "Parte importante da renda deles é destinada a gastos com o próprio bem-estar."

 
É nesse cenário que começam a se destacar empreendedores que oferecem produtos ou serviços para a terceira idade. É o caso do paulista Jota Marincek, de 44 anos, dono da Venturas&Aventuras, a agência de
 turismo que levou Maria Izabel à Turquia e à Indochina. Até dez anos atrás, a Venturas&Aventuras vendia passagens e organizava alguns roteiros de ecoturismo no Brasil e no exterior.

 
Foi numa viagem a Machu Picchu, no fim dos anos 90, que Marincek despertou para o potencial dos clientes acima dos 60 anos. Mais da metade do grupo era composta de pessoas nessa faixa etária, e muitos viajantes tiveram dificuldade para percorrer as trilhas a mais de 2.000 metros de altura. "O ritmo deles é diferente do que os mais jovens estão acostumados", diz Marincek. 

Nos últimos dois anos, a Ven­tu­ras&Aventuras tem organizado roteiros de ecoturismo para grupos da terceira idade pelo menos seis vezes ao ano. Entre os cuidados está a escolha dos hotéis, que devem ter elevador ou no máximo um lance de escada. Somente um passeio pode ser marcado a cada turno do dia, para que os viajantes não se cansem.

 
O calendário com roteiros especiais ganhou um nome simpático — projeto Velhinho É a Mãe. (A brincadeira não ofendeu dona Glória, a mãe de Marincek, que tem 82 anos. Ela não só adora as viagens como distribui a programação na fila exclusiva de idosos do banco onde recebe sua aposentadoria.) O Velhinho É a Mãe representou quase 10% dos 2 milhões de reais em receitas obtidos no ano passado e ajudou a empresa a crescer 8% em relação a 2010.|

O idoso brasileiro de hoje é bem diferente dos vovozinhos de décadas atrás. Assim como os clientes de Marincek, muitos têm tempo e dinheiro  para se divertir, indo a bailes e shows. Muitos deles, principalmente os recém-aposentados, estão acostumados a fazer compras com cartão de crédito e a usar a internet. "São pessoas que acompanharam as inovações tecnológicas enquanto ainda trabalhavam", diz Felisoni, da FIA.

 
A fisioterapeuta Marcella Mayerle, de 29 anos, montou uma empresa em Curitiba voltada para esse consumidor. Há pouco mais de um ano, ela criou o site Loja do Avô para vender artigos adaptados para a terceira idade. Quando atendia pacientes em domicílio para sessões de fisioterapia, Marcella percebeu que, embora começassem a sentir aos poucos o peso de tantos anos de vida, muitos eram independentes. "Vários deles reclamavam que não havia lojas onde pudessem achar, no mesmo lugar,  produtos que facilitassem o dia a dia, como aparelhos de telefone com teclas grandes e tapetinhos antiderrapantes para evitar quedas." 

 
A Loja do Avô começou com artigos de higiene pessoal e cuidados básicos vendidos pela internet. Hoje, o site oferece também produtos como exercitadores para pernas e braços e almofadinhas térmicas, que podem ser esquentadas no forno de micro-ondas. "Cerca de 10% dos clientes são idosos que fazem as compras sozinhos no site", afirma Marcella. Em 2012, a Loja do Avô deve obter um faturamento  40% maior do que o registrado no ano passado.

Negócios dedicados a aumentar o bem-estar dos idosos têm alto potencial de prosperar. A esperança de vida do brasileiro ao nascer aumentou de 70,5 anos de idade, em 2000, para 73,5, em 2010. Ainda há muito o que avançar para chegar ao nível de países como Singapura, onde a expectativa de vida é de 82,1 anos. Mas, à medida que o brasileiro vive mais, novas oportunidades se abrem para empreendedores que oferecem produtos destinados a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. 

 
É por isso que as salas de ginástica da B-Active, academia paulistana especializada no público da terceira idade, estão sempre cheias. Um dos fundadores da empresa, o médico Benjamin Apter, de 50 anos, fez pesquisas durante dois anos para chegar ao modelo ideal para a B-Active, que oferece aulas de ioga, pilates e musculação para velhinhos.

Com três unidades em diferentes bairros paulistanos, a B-Active tem hoje 650 alunos. Segundo estimativas de mercado (a empresa não divulga o faturamento), as mensalidades devem render algo em torno do patamar de 3 milhões de reais ao ano. Cerca de 20% das receitas vêm de grandes laboratórios, que pagam para expor seus produtos no local.  

 
Nas aulas, grupos de até três pessoas são acompanhados por fisioterapeutas especializados em geriatria que regulam a intensidade dos exercícios conforme a forma física de cada aluno. "Temos o paciente que sempre fez esportes, mas que começa a sentir o peso da idade, e também o que precisa de exercício como complemento para um tratamento médico", afirma Apter. 

 
É neste último grupo que está o comerciante aposentado Moises Waldsztejn, um polonês de 84 anos que chegou ao Brasil ainda criança. Com histórico de doenças cardíacas na família, Waldsztejn já passou por duas cirurgias no coração. Duas vezes por semana, Waldsztejn vai à B-Active para sessões de 1 hora de musculação e alongamento. "Consigo levantar 3 quilos em cada braço", diz Waldsztejn. “Eu me sinto como se ainda estivesse com 30 anos." Oito anos atrás, Waldsztejn casou-se pela segunda vez, com dona Ruth, de 80 anos, que também é a sogra de uma de suas filhas. "Vou sempre com ele na ginástica", diz dona Ruth.


Fonte: http://exame.abril.com.br/revista-exame-pme/edicoes/0052/noticias/aumento-da-longevidade-cria-novos-mercados-para-seu-negocio?page=3


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CONFLITO DE GERACOES - NO TRABALHO

Quatro gerações muito diferentes convivem, atualmente, no mundo corporativo, o que pode ser um prato cheio para os problemas. Veteranos (nascidos antes de 1946), baby boomers (1946-1964), Geração X (1965-1979) e Geração Y ou millennials (1980-2000) cresceram em épocas diferentes, têm conjuntos de valores abrangentes e estilos de comunicação muitas vezes conflitantes. Será que por isso não conseguem trabalhar juntos? A americana Dana Brownlee, coach corporativa e presidente da empresa de desenvolvimento profissional Professionalism Matters, em entrevista à Forbes, apresentou dez dicas que podem facilitar a comunicação entre as diferentes gerações no trabalho.

Combinar formalidade e informalidade com a cultura da empresa 

Anos atrás, os locais de trabalho eram muito mais formais do que hoje em dia, diz Dana Brownlee. No entanto, a formalidade da velha escola e a informalidade da nova geração podem causar choques culturais. As gerações mais velhas muitas vezes acham que os jovens ultrapassam o limite, escrevendo e-mails para clientes e colegas de trabalho como se estivessem trocando mensagens de textos de seus celulares ou nas redes sociais, sem se preocupar em verificar a gramática e a ortografia. Segundo a coach, todos os funcionários deveriam reproduzir o grau de formalidade da cultura da empresa em suas comunicações. E, mais importante, ela recomenda que os gestores deixem bem claro quais são as regras a serem seguidas neste sentido.

Utilize vários meios de comunicação 

Enquanto profissionais veteranos e os baby boomers tendem a preferir falar cara a cara ou por telefone, os representantes das gerações X e Y são mais ligados aos meios de comunicação mais tecnológicos, como e-mails, mensagens instantâneas ou de texto, diz Dana. Se restringir a apenas um meio pode afastar alguém que tenha uma abordagem diferente. Por isso, diz ela, adapte-se a cada meio de comunicação e procure saber como o outro prefere se comunicar. Isso proporciona um equilíbrio melhor.

Individualize sua abordagem 

“A melhor maneira de se comunicar através das gerações é individualizar a sua abordagem e descobrir o que funciona com cada pessoa”, diz a coach. Ao invés de assumir que o seu jeito é o certo ou seguir estereótipos por idade, procure ter uma ideia de como as outras pessoas preferem se comunicar. Alguém para com frequência na sua mesa para conversar pessoalmente? Ou manda e-mails ao invés de retornar seu telefonema? Entenda o modo de comunicação preferido de cada um e procure se adaptar. Se não tiver certeza, pergunte.

Entenda as diferenças de valores

Valores fundamentais podem variar muito ao longo de gerações. Veteranos e baby boomers vivem em função do trabalho e sentem que precisam fazer o que for necessário para cumprir suas tarefas. Por outro lado, as gerações X e Y são mais propensas a buscar o equilíbrio entre o trabalho e os seus valores pessoais e estilo de vida. Assim, as gerações mais velhas geralmente veem os mais jovens como desleais, desinteressados e que não têm uma forte ética de trabalho. Já os jovens sentem que precisam cuidar de seus próprios interesses e estão menos dispostos a sacrificar suas vidas em prol da empresa. Compreender os diferentes conjuntos de valores pode ajudar que cada geração entenda melhor a outra, diz Brownlee.

Saiba como motivar cada geração 

Enquanto as gerações mais velhas tendem a ser motivadas pelo trabalho em si, os jovens muitas vezes procuram mais orientação, feedback e reconhecimento, diz Dana. Isso pode causar um mal-entendido crucial. Os trabalhadores mais velhos prensam que o grupo mais jovem é “carente” ou “dependente”', enquanto os trabalhadores mais jovens podem sentir-se “no escuro” ou desvalorizados. “A solução está em ambos os lados”, diz ela, acrescentando que os líderes precisam perceber o quão importante é esse reconhecimento, enquanto que as gerações mais jovens devem perceber que não vão ficar recebendo elogios a todo instante.

Esteja disposto a aprender 

Segundo a coach, as gerações mais velhas estão mais propensas a conectar-se e adaptar-se por estarem mais dispostas a aprender. “A maioria das pessoas tende a fugir do desconhecido. Em vez disso, abrace-o”, afirma. Ela aconselha que esses profissionais se conectem a uma rede social ou façam aulas de programação para ganhar mais contexto, ampliar sua visão e obter mais confiança em ferramentas nas quais não está familiarizado.

Esteja disposto a ensinar 

Cada geração pode aprender com o outra. Estenda a mão e ofereça ajuda. Os trabalhadores mais velhos podem compartilhar seu conhecimento e experiência no negócio. Os mais jovens, por sua vez, podem ensinar sobre cultura pop ou as novas tendências tecnológicas, por exemplo. É uma forma de aumentar o convívio e o respeito entre gerações.

Reconheça as diferenças 

“A tendência natural quando você se reúne com pessoas de diferentes gerações ao mesmo tempo é não falar sobre as diferenças”, diz Dana Brownlee. No entanto, evitar o assunto só fortalece a barreira entre gerações. A coach incentiva os trabalhadores a falar sobre as diferenças e discuti-las abertamente.

Não leve para o lado pessoal 

Ao invés de ficar excessivamente frustrado ou tomar as falhas de comunicação como um sinal de desrespeito, Brownlee aconselha que o profissional tenha em perspectiva os desafios de comunicação. Insista e tente se fazer ouvir.

Seja nítido, claro e conciso 

Faça uma ‘edição’ daquilo que vai falar. Inclua detalhes do que quer, mas procure manter o discurso curto. Foque no ponto mais importante logo no início da conversa.

Fonte: O Globo
Blog da Terceira Idade



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