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TRATAMENTO DO ALZHEIMER

O tratamento visa minimizar os sintomas, proteger o sistema nervoso e retardar o máximo possível a evolução da doença. Os inibidores da acetilcolinesterase, atuam inibindo a enzima responsável pela degradação da acetilcolina que é produzida e liberada por algumas áreas do cérebro (como os do núcleo basal de Meynert). 

A deficiência deacetilcolina é considerada um dos principais fatores da doença de Alzheimer, mas não é o único evento bioquímico/fisiopatológico que ocorre. Mais recentemente, um grupo de medicações conhecido por inibidores dos receptores do tipo NMDA (N-Metil-D-Aspartato) do glutamato entrou no mercado brasileiro, já existindo no europeu há mais de uma década. Um desses medicamentos, a memantina, atua inibindo a ligação do glutamato, neurotransmissorexcitatório do sistema nervoso central a seus receptores. O glutamato é responsável por reações de excitotoxicidade com liberação de radicais livres e lesão tecidual e neuronal. Há uma máxima na medicina que diz que uma doença pode ser intratável, mas o paciente não.

Os medicamentos inibidores da acetil-colesterase são:

Tacrina
Donepesila
Rivastimina
Galantamina
Rivastigmina
Metrifonato


Efeitos colaterais comuns desses medicamentos:


Hepatotoxicidade (30% na Tacrina)
Diarréia
Náusea
Vômitos
Tontura
Fadiga
Insônia
Falta de apetite
Mialgia

Vários desses efeitos colaterais tendem a desaparecer nas primeiras semanas. Eles são mais eficazes no início do tratamento pois conforme o núcleo basal de Meynert vai degenerando restam cada vez menos receptores da acetilcolina. A quantidade de Apolipoproteína E e estrógeno são importantes preditores do sucesso terapêutico.

Como a depressão e ansiedade são um problema constante no Alzheimer é comum que os médicos prescrevam antidepressivos, principalmente inibidores selectivos da recaptação da serotonina como sertralina (Zoloft) e o citalopram (Cipramil). Porém os estudos demonstrando sua eficácia são bastante limitados, diminuindo a concentração, atenção e o estado de vigília sendo a eletroconvulsoterapia uma boa alternativa. Antidepressivos além de melhorarem o humor, o apetite, o sono, o auto-controle e diminuirem a ansiedade, tendências suicidas e agressividade tem demonstrado também significativamente retardar a degeneração do cérebro.

Os medicamentos antipsicóticos, como o haloperidol (Haldol), têm sido utilizados no intuito de facilitar os cuidados com o paciente, especialmente reduzindo as alucinações, a agressividade, os distúrbios de humor, a anedonia, a apatia e a disforia, que são comportamentos que ocorrem com a evolução da patologia. Os benzodiazepínicos, como o diazepam (Valium), tem sido usado para insônia, ansiedade, agitação motora e irritabilidade, porém com causando sonolência, desatenção e menor coordenação motora (ataxia) o que pode ser um sério agravante.


Novos medicamentos

Estudos indicam que Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem servir como proteção contra a demência em usuários crônicos destes fármacos. A relação pode advir da observação de inúmeras substâncias pró-inflamatórias envolvidas na fisiopatologia da doença e diretamente presentes em placas neuríticas; e, emaranhados neurofibrilares, assim como pela ação direta de certos anti-inflamatórios sobre a clivagem de proteína precursora do amilóide. O ibuprofeno (Advil) e a indometacina (Indocid) - mas não o naproxeno (Naprosyn), o celecoxib (Celebra) ou o ácido acetilsalicílico (Aspirina) - demonstraram reduzir os níveis de Aβ acima de 80% em cultura de células49. Como nem todos os antiinflamatórios não-esteroidais apresentaram esse efeito, acredita-se que essa redução ocorreu por um processo independente da atividade antiinflamatória sobre a COX.

Em 2008 um estudo conseguiu desenvolver um meio de reverter alguns sintomas do Mal de Alzheimer em questão de minutos. Uma injeção de etanercepte (nome comercial: Enbrel) na espinha, uma citocina usada no tratamento de problemas imunológicos, atuou inibindo o fator de necrose tumoral alfa (TNF) resultando em melhoras cognitivas e comportamentais quase imediatas.

Em 2011, outro estudo identificou que um defeito no fígado é responsável pelo excesso de produção de amilóide beta. Em testes com animais o uso de imatinib (nome comercial: Gleevec), uma droga usada no tratamento do câncer, resultou em diminuíção de amilóides beta no sangue e no cérebro. Planejam fazer testes com humanos em breve.
 

Cuidadores


A tarefa de cuidar do idoso precisa ser dividida e compartilhada com outros membros da família e profissionais de saúde para não sobrecarregar uma só pessoa. 

Conforme a doença avança aumentam as dificuldades para os familiares que se vêem tendo que cuidar, acompanhar e ajudar no tratamento de um familiar que não mais reconhece as pessoas e depende a maior parte do tempo do auxílio de alguém, até para realizar suas necessidades fisiológicas mais básicas. Os cuidadores são fundamentais para o tratamento do idoso com Alzheimer no ambiente domiciliar, mas nem todos os familiares estão preparados física e psicologicamente para conviver e cuidar de alguém que não os reconhece nem valoriza seus esforços. Por isso é importante o acesso às informações sobre a patologia e apoio psicosocial aos cuidadores. E o cuidador de paciente com Alzheimer frequentemente tem que lidar com irritabilidade, agressividade, mudanças de humor e de comportamento.
É recomendado a participação do cuidador em programas de cuidado ao idoso com Alzheimer para esclarecer dúvidas sobre a doença, acompanhar o tratamento, dar apoio psicológico e social para atenuar o esgotamento e o estresse gerados pela convivência com uma pessoa que a cada dia vai precisar de mais cuidado e atenção no ambiente domiciliar.
Os cuidadores são responsáveis pela manutenção da segurança física, redução da ansiedade e agitação, melhoria da comunicação, promoção da independência nas atividades de autocuidado, atendimento das necessidades de socialização e privacidade, manutenção da nutrição adequada, controle dos distúrbios do padrão de sono e transporte para serviços de saúde além das inúmeras atividades diárias de cuidado com o lar.

PREVENÇÃO DO MAL DE ALZHEIMER

Todos os estudos de medidas para prevenir ou atrasar os efeitos do Alzheimer são frequentemente infrutíferos. Hoje em dia, não parecem existir provas para acreditar que qualquer medida de prevenção é definitivamente bem sucedida contra o Alzheimer.

No entanto, estudos indicam relações entre factores alteráveis como dietas, risco cardiovascular, uso de produtos farmacêuticos ou atividades intelectuais e a probabilidade de desenvolvimento de Alzheimer da população. Mas só mais pesquisa, incluídos testes clínicos, revelarão se, de facto, esses factores podem ajudar a prevenir o Alzheimer.

A inclusão de fruta e vegetais, pão, trigo e outros cereais, azeite, peixe, e vinho tinto, podem reduzir o risco de Alzheimer. Algumas vitaminas como a B12, B3, C ou a B9 foram relacionadas em estudos ao menor risco de Alzheimer, embora outros estudos indiquem que essas não têm nenhum efeito significativo no início ou desenvolvimento da doença e podem ter efeitos secundários. Algumas especiarias como a curcumina e o açafrão mostraram sucesso na prevenção da degeneração cerebral em ratos de laboratório.
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O risco cardiovascular, derivado de colesterol alto, hipertensão, diabetes e o tabaco, está associado com maior risco de desenvolvimento da doença, e as estatinas (fármacos para fazer descer o colesterol) não tiveram sucesso em prevenir ou melhorar as condições do paciente durante o desenvolvimento da doença. No entanto, o uso a longo prazo de anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) está também associado à menor probabilidade de desenvolvimento de Alzheimer em alguns indivíduos. Já não se acredita que outros tratamentos farmacêuticos, como substituição de hormonas femininas, previnam a doença. Em 2007, estudo aprofundado concluiu que havia provas inconsistentes e pouco convincentes de que o ginkgo tenha algum efeito positivo em reduzir a probabilidade de ocorrência do Mal de Alzheimer.

Atividades intelectuais como ler, escrever com a mão esquerda, disputar jogos de tabuleiro (xadrez, damas, etc.), completar palavras cruzadas, tocar instrumentos musicais, ou socialização regular também podem atrasar o início ou a gravidade do Alzheimer. Outros estudos mostraram que muita exposição a campos magnéticos e trabalho com metais, especialmente alumínio, aumenta o risco de Alzheimer. A credibilidade de alguns desses estudos tem sido posta em causa até porque outros estudos não encontraram a mínima relação entre as questões ambientais e o desenvolvimento de Alzheimer.

Atitudes simples do dia a dia podem reduzir as chances de desenvolver a doença. Uma delas é reduzir ao máximo o contato de alimentos com o alumínio. Ele está presente em panelas que armazenam as sobras do almoço para o jantar, ou vice-versa. Ao ficarem na geladeira, por exemplo, aos poucos a panela solta pequenas partículas de alúminio que contaminam o alimento, dê preferência por armazenar as sobras em recipientes de plástico, e volte para a panela somente quando for aquecer. Evite também o uso excessivo de papel alumínio para embrulhar os alimentos, sobretudo em lanche para as crianças. Dê preferência por potes de plástico, que além de conservar melhor o alimento sem amassá-lo, evita o gasto com o papel e ajuda a natureza na hora de reciclar, reduzindo o lixo produzido.

Muitas vezes não é possível discernir todas as fases da doença. Pois um paciente que ainda está na primeira fase já pode apresentar dificuldades de locomoção por exemplo, e outro paciente que já se encontra em fase terminal ainda fala com fluencia (embora sejam frases sem sentido nenhum e até mesmo xingamentos).

Em 2009, cientistas do Reino Unido e França anunciaram a descoberta de três genes [clusterina (ou CLU), PICALM e CR1] que poderiam reduzir em até 20% seus índices de incidência na população.

MAL DE ALZHEIMER




O mal de Alzheimer, doença de Alzheimer ou simplesmente Alzheimer é uma doença degenerativa atualmente incurável mas que possui tratamento. O tratamento permite melhorar a saúde, retardar o declínio cognitivo, tratar os sintomas, controlar as alterações de comportamento e proporcionar conforto e qualidade de vida ao idoso e sua família. 

Foi descrita, pela primeira vez, em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome. É a principal causa de demência em pessoas com mais de 60 anos no Brasil e em Portugal, sendo mais de duas vezes mais comum que a demência vascular, sendo que em 15% dos casos ocorrem simultaneamente.  

Atinge 1% dos idosos entre 65 e 70 anos mas sua prevalência aumenta exponencialmente com os anos sendo de 6% aos 70, 30% aos 80 anos e mais de 60% depois dos 90 anos.

ALZEIMER - AMOR DA FAMILIA É O MELHOR REMÉDIO


A doença de Alzheimer (DA) é uma forma irreversível de demência, um grupo de doenças mentais caracterizadas por uma perda adquirida e progressiva das faculdades mentais ou funções cognitivas, como a linguagem, a praxia (complexos movimentos com significados, como o marchar), reconhecimento de objetos, funções executivas (planejamento e de decisão) e, mais notavelmente , da memória.

Prejuízo das funções cerebrais:
Essas perdas levam a dificuldades para executar tarefas mentais necessárias para a vida diária normal, bem como aos sintomas comportamentais e psiquiátricos da doença, em última análise causando uma grave incapacidade para a vida independente e, à medida em que a doença progride para a última etapa ocorre um profundo comprometimento em quase todas as funções cerebrais, restringindo o paciente à cama. O tempo de progressão da doença varia muito entre os indivíduos. O intervalo de tempo entre o diagnóstico e a morte tem sido descrito de 3 a 14 anos.
Incidência:
A Doença de Alzheimer afeta milhões de pessoas em todo o mundo e é a forma mais comum de demência, respondendo por cerca de metade de todos os casos. Embora originalmente descrita como uma demência "pré-senil" (significando que ela seria uma doença de pessoas que se aproximam dos 65 anos, mas não dos idosos em si), hoje é amplamente reconhecido que a doença de Alzheimer afeta principalmente pessoas idosas. Relativamente raros na idade de 65 anos, quando apenas 1,5% têm DA, a sua prevalência duplica a cada 4 ou 5 anos até picos de uma média de 30% de pessoas afetadas na idade de 80 anos.


As causas:
A Doença de Alzheimer é caracterizada pela degeneração e perda de neurônios - as células responsáveis pela transmissão nervosa - em áreas do cérebro envolvidas com funções cognitivas. Como essa degeneração é lenta e difusa e, inicialmente, afecta as estruturas cerebrais ligadas à memória e aprendizado, o quadro clínico mais comum é a de um paciente com dificuldades de aprendizagem e de perda de memória recente (as memórias antigas são mais consolidadas). Os outros sintomas cognitivos e comportamentais tipicamente surgem depois de um longo curso da doença da doença.


Manuseio das proteínas:
A perda neuronal na DA tem sido ligada a problemas de manuseio de proteínas por neurônios nas áreas afetadas, causando o acúmulo de estruturas proteicas anormais, o que interrompe o funcionamento neural. Embora este processo tem sido descrito por muitos anos e ainda é estudado, a causa global da Doença de Alzheimer é desconhecida. Os fatores genéticos desempenham um papel importante, tanto em uma forma incomum de doença, a de início precoce familiar e nas formas comuns da doença, mas nenhum gene tem sido descrito que possa determinar sozinho a incidência da doença em uma pessoa.


Diagnosticando a Doença de Alzheimer
O diagnóstico da DC é de exclusão. Uma vez que não temos exames seguros e precisos para realizar em caso de suspeita, o diagnóstico tem de ser feito através da demonstração de história e sintomas compatíveis com a Doença de Alzheimer e a ausência de outras causas de demência. As demências potencialmente reversíveis são de grande importância para identificar, uma vez que a remissão completa ou parcial pode ser obtida com o tratamento.


Como o diagnóstico é feito:
Ao pesquisar a possibilidade da Doença de Alzheimer, o médico irá entrevistar o paciente e seus familiares ou responsáveis, fará testes congnitivos padronizados para avaliar a função mental, procederá a um exame físico detalhado e dirigido para descartar outras causas de demência e solicitará vários exames, incluindo exames de sangue e uma imagem cerebral (tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética são os exames mais cimumente disponíevis em nosso meio para tal fim). Uma vez demonstrado que o paciente preenche os critérios clínicos suficientes para a Doença de Alzheimer e não tem outra explicação possível para os sintomas detectada durante a avaliação, ele será classificado como tendo a Doença de Alzheimer. Embora possa parecer que o diagnóstico da Doença de Alzheimer é muito impreciso, muitos estudos têm demonstrado que um médico bem treinado é capaz de identificar corretamente a DA em seu início, em quase todos os casos (índice de acerto superior a 90% mesmo em casos iniciais da doença).


Tratando a Doença:
Uma vez diagnosticada, a Doença de Alzheimer vai exigir uma grande dose de compreensão, de conhecimentos, habilidades e trabalho da parte dos cuidadores, que geralmente são membros da família - mais comumente o próprio cônjuge. Alguns dos encargos podem ser aliviados por profissionais de saúde treinados para dar os diferentes tipos de cuidados que esta doença complexa exige e informar e capacitar os cuidadores para darem o melhor atendimento com o mínimo de sofrimento. Profissionais ou organizações de familiares de portadores da doença de Alzheimer existem em muitos países e são uma boa fonte de conhecimento e partilha de experiências. Finalmente, um tratamento otimizado irá diminuir a incidência de complicações durante o curso da doença.

Perspectivas:

Um grande progresso tem sido feito no tratamento da DA nas últimas décadas e hoje não só existem medicamentos para um controle efetivo dos problemas comportamentais, mas medicamentos específicos que podem interferir com o progresso da doença. A Doença de Alzheimer ainda é irreversível e atualmente nenhuma cura pode ser esperada, mas atualmente é razoável esperar uma redução na taxa de progressão dos sintomas e em alguns casos, uma ligeira evolução da função cognitiva pode ser alcançada com o uso da medicação. Isto é particularmente verdadeiro quando o diagnóstico é obtido no bem no início do curso da doença e o tratamento é iniciado imediatamente, o que reforça a importância de um diagnóstico precoce.

Muitas linhas de pesquisa em diferentes países estão constantemente contribuindo com o conhecimento sobre a doença e novas perspectivas para o seu tratamento. Isto significa que é possível que algumas opções de tratamento que são atualmente apenas experimentais possam ser em breve aprovadas para uso clínicos, com grandes perspectivas de um maior impacto sobre a doença do que aquilo que pode ser alcançado hoje.

A cura para a doença de Alzheimer, no entanto, não deverá surgir nas próximas décadas, mas os cientistas estão começando a entender mais sobre as suas origens. Por isto, é razoável esperar que algum dia uma cura ou a vacina serão encontradas, mas como a medicina caminha a passos lentos , a realidade mais provável é que isso infelizmente só deverá beneficiar os futuros portadores da doença.

Escrito por: Dr. Thiago Monaco – dr.thiago@envelhecerbem.com